Greve na maternidade de Zaporizhzhia: bebê recém-nascido morto em ataque russo a hospital ucraniano



CNN

Um bebê de dois dias morreu em um ataque russo a uma maternidade em Vilnyansk, no sudeste da Ucrânia, na quarta-feira, quando Moscou intensificou os ataques à infraestrutura civil em todo o país.

A mãe da criança recém-nascida e um médico foram retirados dos escombros do centro médico destruído em Zaporizhzhia, já que casas particulares próximas também foram danificadas no devastador ataque com mísseis S-300.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou o bombardeio e acusou o Kremlin de tentar “alcançar terror e assassinato”, enquanto a primeira-dama Olena Zelenska chamou o ataque de “insano”.

“O inimigo mais uma vez decidiu tentar alcançar com terror e assassinato o que não foi capaz de alcançar por nove meses e não será capaz de alcançar”, disse Zelensky, referindo-se à Rússia.

Um bebê recém-nascido morreu em um ataque russo a uma maternidade de dois andares na cidade de Vilnyansk, na região sul de Zaporizhzhia, na quarta-feira.

As cenas do ataque na quarta-feira espelharam as de um ataque catastrófico em uma maternidade e hospital infantil na cidade de Mariupol, no sul, em março, como parte de uma campanha mais ampla da Rússia visando unidades de saúde em toda a Ucrânia.

Instalações médicas ucranianas foram atingidas por uma onda de mísseis nos últimos meses, com a Organização Mundial da Saúde identificando cerca de 703 ataques a complexos médicos em todo o país desde fevereiro.

Cerca de uma em cada cinco pessoas na Ucrânia tem dificuldade de acesso a remédios, disse o Dr. Jarno Habicht, representante da Organização Mundial da Saúde na Ucrânia, na segunda-feira. O problema é pior nas regiões ucranianas ocupadas pela Rússia, onde uma em cada três pessoas não consegue obter os remédios de que precisa, acrescentou Habicht.

É um problema que será agravado pela forte nevasca durante o inverno rigoroso da Ucrânia, que representa um “desafio formidável” para o sistema de saúde, alertou o funcionário da OMS.

Zelensky disse que Moscou queria incitar

Mais ao norte, em Kyiv, a Rússia lançou um míssil mortal em uma instalação de infraestrutura depois que o prefeito da cidade alertou sobre um inverno rigoroso pela frente em meio a cortes generalizados de energia e queda de temperatura.

O ataque na quarta-feira matou pelo menos três pessoas, incluindo uma menina de 17 anos, e feriu pelo menos outras 11, já que as autoridades locais suspenderam posteriormente o abastecimento de água na região após o bombardeio.

A operadora estatal de energia da Ucrânia, Ukrenergo, disse que a greve em Kyiv contribuiu para quedas de energia em todas as regiões do país na tarde de quarta-feira, já que recentes ataques russos contra infraestrutura crítica destruíram grande parte do fornecimento de energia do país.

“Também devemos nos preparar para o pior cenário”, disse o prefeito de Kyiv, Vitali Klitschko, ao jornal alemão Bild.

“Isso aconteceria se houvesse cortes generalizados de energia e as temperaturas fossem ainda mais frias”, disse ele em entrevista publicada na terça-feira.

“Então partes da cidade teriam que ser evacuadas, mas não queremos que chegue a isso!”

O Kremlin tem como alvo instalações críticas de energia em toda a Ucrânia nas últimas semanas.

O Kremlin foi acusado de atacar deliberadamente a rede elétrica civil da Ucrânia em um esforço para deixar a população civil sem eletricidade e aquecimento – um ato que equivaleria a um crime de guerra. Um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA disse na segunda-feira que um padrão consistente de ataques russos contra elementos civis na Ucrânia era “profundamente preocupante”.

Em um movimento simbólico que ecoou a condenação dos líderes ocidentais à invasão da Rússia, o Parlamento Europeu reconheceu na quarta-feira o país “como um estado patrocinador do terrorismo e como um estado que usa meios de terrorismo”.

O Parlamento da UE pediu à União Europeia “para isolar ainda mais a Rússia internacionalmente” em uma resolução não vinculativa, de acordo com um comunicado de imprensa.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, saudou a decisão.

“A Rússia deve ser isolada em todos os níveis e responsabilizada para acabar com sua política de terrorismo de longa data na Ucrânia e em todo o mundo”, tuitou.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, também agradeceu no Twitter ao Parlamento Europeu “pela postura clara”.

A CNN procurou as autoridades russas para comentar.

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